Embargo que entra em vigor nesta quinta-feira (3) afeta principalmente a avicultura; União Europeia representa cerca de 5% do mercado de exportação de carnes do Estado
O embargo da União Europeia (UE) a determinados produtos de origem animal do Brasil, que entra em vigor nesta quinta-feira (3), pode gerar perdas anuais superiores a US$ 392,2 milhões para o Paraná.
O valor considera as exportações paranaenses de carne de frango e carne bovina destinadas ao bloco europeu em 2025. Naquele ano, o Estado comercializou cerca de US$ 382 milhões em carne de frango, correspondentes a 118,7 mil toneladas, e outros US$ 10,2 milhões em carne bovina, com aproximadamente 1,4 mil toneladas exportadas.
O Paraná é líder nacional na produção e exportação de carne de frango, o que faz da avicultura o setor que pode sofrer os maiores impactos com a suspensão das importações pelo mercado europeu.
União Europeia representa 5% do mercado de carnes do Paraná
Somente no primeiro semestre de 2026, o Paraná exportou para a União Europeia aproximadamente US$ 224 milhões em carne de frango, equivalentes a 78,7 mil toneladas, e outros US$ 4,6 milhões em carne bovina, com 643 toneladas comercializadas.
Os dados são do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Atualmente, a União Europeia representa cerca de 5% do mercado de exportação de carnes do Paraná.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a permanência dos produtos brasileiros no mercado europeu é importante não apenas pelo volume comercializado diretamente com o bloco, mas também pela influência das exigências sanitárias europeias sobre outros mercados.
“Muitos países tomam como base o atendimento às exigências sanitárias da UE para tomar suas próprias decisões. Se o bloco europeu tem uma exigência e o Brasil atende, outros países também compram de nós sem necessidade adicional de vistorias ou inspeções”, afirmou.
Segundo ele, o mercado europeu representa uma importante vitrine para os produtos do agronegócio brasileiro e paranaense.
Avicultura deve ser o setor mais afetado
Anunciada em maio, a suspensão das importações pela União Europeia abrange determinados produtos de origem animal do Brasil, incluindo carnes bovina e de frango, mel, equinos, tripas e itens de aquicultura.
Como o Paraná lidera a produção e a exportação nacional de carne de frango, a expectativa é de que a avicultura seja o setor mais impactado no Estado.
Atualmente, a carne de frango produzida no Paraná é exportada para mais de 150 países, atendendo às exigências sanitárias de alguns dos principais mercados consumidores do mundo.
Diante da possibilidade de suspensão das exportações ao bloco europeu, o Sistema FAEP encaminhou, no dia 9 de junho, um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária solicitando medidas para evitar o embargo.
A entidade argumenta que o Brasil e o Paraná possuem sistemas sanitários consolidados.
O Paraná, por exemplo, é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021.
O Brasil conquistou a mesma certificação em 2025. Neste ano, a China também reconheceu todo o território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação.
Expectativa é de retomada das exportações
Apesar da preocupação com os possíveis prejuízos imediatos, existe expectativa de que a carne de frango possa retornar, no curto prazo, à lista de produtos autorizados para exportação ao mercado europeu.
Desde o dia 24 de agosto, técnicos da União Europeia realizam auditorias em propriedades brasileiras. Os trabalhos incluem avaliações dos sistemas de produção, processamento e fiscalização da carne de frango e do mel.
A expectativa do Sistema FAEP é que as auditorias confirmem o cumprimento das exigências relacionadas, entre outros pontos, ao uso de antimicrobianos, permitindo a retirada do veto sobre a carne de frango.
“São muitos fatores em jogo, mas a nossa expectativa central permanece voltada para a rápida superação das exigências sanitárias e a retomada das exportações para o mercado europeu”, destacou Meneguette.
A expectativa do setor é de que as negociações e as avaliações sanitárias permitam reduzir os impactos do embargo e garantir a retomada das exportações paranaenses para um dos mercados considerados estratégicos para o agronegócio brasileiro.








