sábado, abril 13, 2024
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Pesquisador da Universidade do Contestado, em Mafra, participou de descoberta de fóssil com 80 milhões de anos na Antártida

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Pesquisadores do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens/URCA, do Museu Nacional/UFRJ, da Universidade do Contestado e da Universidade Federal do Espírito Santo apresentaram no dia 13 de agosto, um novo fóssil de lagostim encontrado na Ilha de James Ross, na Península Antártica

Fóssil de lagostim Hoploparia echinata. Foto: Museu Nacional/UFRJTrata-se de dois espécimes que foram classificados no gênero Hoploparia em uma nova espécie, H. echinata. “Apesar de não ter representantes atuais, os fósseis desse gênero de lagostim foram encontrados em camadas de diferentes partes do mundo, em um total de 67 espécies. Entretanto, no continente antártico, eram conhecidas, até o momento, apenas três espécies, sendo esta uma nova, procedente da Ilha James Ross”, disse o diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens/Urca, Allysson Pinheiro.

O material foi coletado em 2016, durante em expedição realizada pelo projeto Paleoantar, dedicado a coletar e estudar rochas e fósseis da Antártida. As rochas onde foram encontrados os fósseis sugerem que o animal vivia em ambientes marinhos rasos, com fundo arenoso. Estima-se que tenha vivido no Período Cretáceo, durante o Campaniano, há cerca de 80 milhões de anos.

Participação catarinense

O pesquisador Luiz Carlos Weinschultz, da Universidade do Contestado (UnC), em Mafra, foi o representante de Santa Catarina no grupo que fez a descoberta no continente gelado. Ele conta que o fóssil é de uma época em que “o oceano atlântico estava começando a aparecer”, e portanto o cenário climático era totalmente diferente.

Durante as expedições, foram coletadas mais de 4 toneladas de amostras, sendo que algumas delas estão em exposição no Museu da Terra e da Vida na UnC, em Mafra, e estão sendo utilizadas em estudos e análises. Recentemente foi publicada a descoberta dos primeiros fragmentos ósseos pertencentes a pterossauros encontrados na Antártida.

Anatomia do lagostim

O fóssil é classificado como Hoploparia echinata, do latim echinatus, que significa espinhoso, e se refere à característica espinhosa das pernas e terceiros maxilípedes. Essa feição espinhosa é uma das principais características de distinção para as demais espécies de Hoploparia. Segundo os pesquisadores, a atribuição ao gênero se dá especialmente pela ornamentação do cefalotórax (carapaça), que tem um padrão de sulcos, espinhos e carenas bem definidos.

Desenho de como seria o lagostim encontrado. Foto: Museu Nacional UFRJ

Os pesquisadores acreditam que o animal, semelhante a outros lagostins, deveria cavar tocas e ser um predador de emboscadas, por causa de sua pinça. Essas pinças, grandes e fortes, podiam ser usadas inclusive para capturar peixes e facilitavam a escavação de sua toca.

De acordo com Allysson Pinheiro, possivelmente eram animais territorialistas que não viviam em grandes associações. Eventualmente podiam conviver, como na época da reprodução ou quando se alimentavam de carcaças. “Mas eram animais isolados, vivendo mais em sua toca”.

De acordo com o paleontólogo e diretor do Museu Nacional/UFRJ, Alexander Kellner, a descoberta dessa nova espécie “certamente não será a única do grupo”. Em 2018, os pesquisadores estiveram por 50 dias no The Naze (parte da ilha James Ross), onde foram coletados dezenas de fósseis de lagostas e outros crustáceos que estão em estudo. “Certamente, em breve, teremos mais novidades sobre esse grupo de animais que viveram na Antártida durante o período Cretáceo”, afirmou.

Pesquisadores brasileiros na Ilha James Ross . Foto: Museu Nacional/UFRJ

Antártica

A Ilha James Ross, em um período entre 70 a 80 milhões de anos atrás, época do fóssil encontrado, era muito diferente do que é hoje. Naquela época, a área estava coberta por um mar raso com uma grande variedade de fauna (tubarões, corais, répteis, etc), e com uma temperatura mais elevada do que as registradas atualmente.

“A ilha de James Ross tem um dos acervos fossilíferos mais ricos da Antártica. A descoberta de uma nova espécie de lagostim confirma esse enorme potencial e a importância do desenvolvimento contínuo de pesquisas em paleontologia na região”, disse o pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodrigo Figueiredo.

Por Agência Brasil

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