quinta-feira, setembro 24, 2026
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Paraná ultrapassa 10 mil transplantes em 15 anos de atuação do Sistema Estadual

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Estado registrou 1.386 transplantes de órgãos e tecidos entre janeiro e setembro de 2026; Setembro Verde reforça a importância da doação

O Paraná ultrapassou a marca de 10 mil transplantes realizados desde 2011, ano de criação do Sistema Estadual de Transplantes (SET). O resultado ganha destaque durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos.

Os dados mostram o crescimento da estrutura de doação no estado. Entre janeiro e agosto de 2011, o Paraná registrou 70 doações. No mesmo período de 2026, foram contabilizadas 293 doações efetivas, quando os órgãos são captados e encaminhados para transplante, representando um aumento superior a 300%.

Considerando os números anuais, as doações passaram de 111, em 2011, para 462, em 2025. Entre janeiro e setembro de 2026, o estado já havia realizado 1.386 transplantes de órgãos e tecidos.

Organizações de Procura de Órgãos

Parte importante desse trabalho é realizada pelas Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), responsáveis por atuar junto aos hospitais, acompanhar os processos de doação, apoiar as equipes de saúde e auxiliar no acolhimento das famílias.

O Paraná conta atualmente com quatro OPOs, localizadas em Curitiba, Cascavel, Maringá e Londrina. As unidades são distribuídas entre as regiões Leste, Oeste, Noroeste e Norte do estado e contam, ao todo, com 26 funcionários.

A estrutura funciona de maneira integrada ao Sistema Estadual de Transplantes, com monitoramento das demandas e da disponibilidade de órgãos durante 24 horas por dia. O trabalho envolve equipes hospitalares, profissionais de terapia intensiva e unidades responsáveis pela logística de captação e distribuição.

O processo começa quando uma unidade de saúde identifica um paciente com quadro neurológico grave e possível evolução para morte encefálica. A OPO, em conjunto com as Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes (e-DOTs), acompanha a confirmação do diagnóstico, a manutenção clínica do potencial doador e o contato com os familiares.

Acolhimento contribui para a autorização familiar

De acordo com os dados apresentados, a taxa de recusa familiar à doação de órgãos no Paraná é de 33%, abaixo da média nacional de 45%.

A atuação das equipes envolve treinamento contínuo para a comunicação com os familiares, o esclarecimento de dúvidas e o acolhimento durante o processo de luto. A abordagem busca oferecer informações sobre o diagnóstico e sobre as etapas da doação, respeitando o momento vivido pela família.

Após a autorização, as OPOs coordenam diferentes etapas da operação, incluindo o acionamento das equipes de captação, a organização dos centros cirúrgicos, a identificação de amostras biológicas e, quando necessário, a articulação de procedimentos legais com o Instituto Médico-Legal (IML).

Além do acompanhamento dos casos, as organizações também promovem capacitações para profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Os treinamentos incluem comunicação de más notícias, manutenção clínica do potencial doador e medidas de segurança no processo de doação.

Campanhas ampliam a conscientização

A atuação das OPOs também inclui ações de educação em saúde destinadas à população. A unidade de Cascavel, responsável pelas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, viabilizou 80 doações efetivas entre janeiro e setembro de 2026, que resultaram em mais de 256 transplantes, segundo os dados divulgados.

A unidade promove iniciativas de conscientização, como o “Bloco Doação de Órgãos, Fale sobre isso”, com o objetivo de ampliar o diálogo sobre o tema e incentivar que as famílias conversem previamente sobre a doação.

Para o Sistema Estadual de Transplantes, a disseminação de informações pode contribuir para que os familiares estejam mais preparados para tomar decisões quando confrontados com a possibilidade de doação em ambiente hospitalar.

O Setembro Verde reforça essa mobilização e busca estimular a discussão sobre a doação de órgãos como uma forma de oferecer novas possibilidades de vida a pacientes que aguardam por um transplante.

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