Estado encerrou 2025 com cerca de R$ 10 bilhões em recursos livres, mas valor caiu 20% em termos reais desde 2022; investimentos atingiram recorde de R$ 7,18 bilhões
O Paraná encerra o segundo mandato do governador Ratinho Junior com aumento no volume de investimentos e manutenção da classificação A+ em Capacidade de Pagamento (Capag), mas também com redução dos recursos disponíveis em caixa e piora de alguns indicadores fiscais nos últimos anos.
Levantamento baseado em dados públicos mostra que o Estado terminou 2025 com cerca de R$ 10 bilhões em recursos não vinculados disponíveis em caixa, o maior valor entre os estados brasileiros. Apesar disso, o montante representa uma redução real de aproximadamente 20% em relação ao final de 2022, quando foi registrado o maior nível do atual governo.
Em relação à Receita Corrente Líquida (RCL), a disponibilidade caiu de 24% ao final do primeiro mandato para 15% em 2025. Dados preliminares indicam nova redução ao longo de 2026.
O balanço fiscal também aponta que o Paraná registrou, em 2025, os primeiros déficits orçamentário e primário desde 2017. Para 2026, a previsão orçamentária indica resultado zerado para o resultado orçamentário e positivo para o resultado primário.
Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa-PR), a redução dos resultados está relacionada a uma mudança planejada na posição fiscal, com utilização de parte dos recursos acumulados para ampliar investimentos e reduzir impostos.
Investimentos em alta
Enquanto o caixa disponível diminuiu, os investimentos estaduais avançaram. Segundo o Balanço Geral de 2025, o Paraná empenhou R$ 7,18 bilhões em investimentos no ano passado, valor recorde e mais que o dobro do registrado em 2018.
Para 2026, o governo estadual projeta novo crescimento dos investimentos, impulsionado principalmente por obras estruturantes. A expectativa é de que os valores empenhados permaneçam acima de R$ 7 bilhões pelo segundo ano consecutivo.
A Sefa afirma que o aumento dos investimentos contribui para a redução do resultado primário, já que essas despesas são contabilizadas no cálculo do indicador.
A secretaria também aponta que a receita perdeu ritmo, entre outros fatores, devido à redução da alíquota do IPVA e ao encerramento das compensações relacionadas às perdas de arrecadação do ICMS.
Dívida permanece em patamar inferior
Apesar da redução das disponibilidades, o Paraná permanece entre os estados que apresentam dívida líquida negativa. Isso significa que os ativos disponíveis superam as obrigações financeiras.
Em 2025, a diferença entre ativos e dívidas era de aproximadamente R$ 3,5 bilhões favoráveis ao Estado, equivalente a 5% da RCL. Em abril de 2026, o Paraná ainda apresentava posição de credor líquido, com diferença de cerca de R$ 2,3 bilhões.
A dívida bruta também apresentou redução durante o atual governo. O indicador passou de 63,6% da RCL em 2018 para 38,4% em 2025.
Em agosto de 2026, a dívida do Paraná com a União era de R$ 14,2 bilhões.
O Estado também decidiu não aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado para possibilitar a renegociação das dívidas estaduais com a União.
Nota de crédito A+
O Paraná mantém classificação A+ na Capacidade de Pagamento (Capag), indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal dos estados. A classificação considera fatores como endividamento, poupança corrente e liquidez.
Documento técnico da Secretaria da Fazenda confirma a manutenção da nota A+ e aponta que o Estado apresenta indicadores de endividamento e liquidez controlados. A mesma análise, porém, registrou deterioração do indicador de poupança corrente, que passou de 87,34% para 90,66% entre os cenários analisados.
Gastos com pessoal e previdência
Outro ponto de atenção está nas despesas com pessoal e no déficit previdenciário.
A projeção é de que os gastos com pessoal tenham crescimento de aproximadamente 30% no período de 2023 a 2026. Em 2025, a despesa representou 42,41% da Receita Corrente Líquida, ante 40,67% em 2022.
O déficit previdenciário também aumentou. Em 2025, representou 9,40% da RCL, contra 8,60% em 2022.
Segundo a Sefa-PR, a elevação das despesas está relacionada, entre outros fatores, à reestruturação de carreiras e ao reajuste geral concedido aos servidores em 2023. A secretaria afirma que, apesar do aumento, os indicadores permanecem dentro dos limites previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Cenário fiscal
O conjunto dos indicadores mostra um Paraná que ampliou investimentos e manteve classificação elevada de capacidade de pagamento, ao mesmo tempo em que reduziu parte dos recursos acumulados em caixa e passou a registrar maior pressão sobre despesas correntes, pessoal e previdência.
A Secretaria da Fazenda afirma que adotou medidas de controle para preservar a liquidez. Entre as ações estão medidas orçamentárias, financeiras, contábeis e de arrecadação. Em documento oficial, a pasta também destaca a criação do Fundo Estratégico do Paraná, que inclui uma reserva destinada à sustentabilidade fiscal.









