domingo, outubro 4, 2026
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Indústria química de SC adota ciclo produtivo fechado e reduz geração de resíduos

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RECICLO reaproveita solventes, resíduos industriais, papel e materiais orgânicos, transformando o que seria descartado em novos produtos, energia e adubo

A busca por reduzir o desperdício e ampliar o reaproveitamento de materiais tem levado indústrias a repensarem seus processos produtivos. Em Santa Catarina, a RECICLO, empresa do segmento químico, adotou um modelo de ciclo produtivo fechado, no qual materiais que seriam descartados retornam à cadeia e ganham novas aplicações.

A empresa atua na recuperação de solventes utilizados principalmente pela indústria de embalagens plásticas. Após serem utilizados pelos clientes, esses materiais retornam à RECICLO, onde passam por um processo de recuperação para retirar contaminantes e, posteriormente, voltam a ser utilizados como produto.

Segundo o CEO da empresa, Alan Fabre, a lógica de reaproveitamento é aplicada também aos resíduos gerados dentro da própria indústria. “Aqui tudo se transforma. Nós produzimos e recuperamos os solventes, retiramos os contaminantes desse produto, como a borra, e encaminhamos para empresas que a utilizam como matéria-prima. Também reciclamos outros resíduos internos provenientes dos processos industriais e orgânicos”, explica.

Reaproveitamento vai além dos solventes

Foto: Divulgação

O modelo adotado pela RECICLO não se limita aos resíduos diretamente ligados à produção química. Materiais utilizados nas atividades administrativas também são reaproveitados.

Papéis descartados nos escritórios, por exemplo, são destinados à queima na caldeira da empresa e utilizados como fonte de energia. Já as cinzas resultantes desse processo são encaminhadas para compostagem.

Os resíduos orgânicos provenientes das áreas verdes da unidade, como podas de árvores e corte de grama, também entram no processo. A empresa mantém uma área com vegetação e animais, incluindo cavalos, patos e cachorros, o que gera outros materiais orgânicos que podem ser aproveitados.

Depois da compostagem, o material é transformado em adubo. Parte é utilizada nos próprios jardins da empresa e outra parcela é doada à comunidade de Morro da Fumaça, no Sul de Santa Catarina.

Modelo busca manter materiais em circulação

Uma pesquisa realizada em 2019 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), apontou que 53% das indústrias consultadas já reutilizavam materiais em seus processos produtivos.

Na RECICLO, porém, a proposta é ampliar essa lógica para diferentes etapas da operação. Solventes, subprodutos industriais, papel, resíduos orgânicos e cinzas são direcionados para processos de reaproveitamento, reciclagem ou novas aplicações.

De acordo com a empresa, a recuperação dos solventes permite que eles retornem aos clientes depois de utilizados, formando um ciclo contínuo de produção, utilização, recuperação e novo fornecimento.

“A RECICLO foi uma iniciativa de meu pai, que possui forte consciência sustentável, e agora dou continuidade ao trabalho junto a ele. Fazemos o que é possível para que a atividade industrial não prejudique o meio ambiente em que vivemos”, afirma Fabre.

Além do reaproveitamento dentro da própria unidade, a empresa também encaminha determinados subprodutos para outras empresas que os utilizam como matéria-prima.

O modelo segue o princípio de que um resíduo não precisa representar o fim da vida útil de um material. Dependendo de suas características, ele pode retornar como produto recuperado, matéria-prima para outra atividade, fonte de energia ou composto orgânico.

Com isso, a indústria busca reduzir a quantidade de materiais destinados ao descarte e diminuir a necessidade de utilização de novos recursos naturais, mantendo diferentes materiais em circulação por mais tempo.

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