Safra recorde impulsiona embarques da fruta brasileira, que renderam US$ 44,4 milhões entre janeiro e junho, apesar de desafios logísticos e do conflito no Oriente Médio
As exportações brasileiras de maçã registraram crescimento expressivo no primeiro semestre de 2026, consolidando um novo patamar para o setor. De acordo com levantamento da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), os embarques da fruta aumentaram 225,11% em volume e 223,55% em valor na comparação com o mesmo período de 2025.
Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 42,8 mil toneladas de maçã, gerando uma receita de US$ 44,4 milhões. O desempenho contribuiu para o resultado histórico da fruticultura nacional no mercado internacional e reforçou a competitividade do setor.
Segundo a Abrafrutas, o avanço é resultado dos investimentos realizados pelos produtores em tecnologia, qualidade e diversificação dos mercados compradores.
Para o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM), Moisés Albuquerque, a safra 2025/2026 foi determinante para esse resultado.
“Após dois anos de safras muito pequenas, impactadas por fatores climáticos, a safra 2025/2026 é simplesmente a maior da nossa história. Tivemos um aumento significativo da produção, com excelente qualidade, característica da maçã brasileira. Isso permitiu ampliar de forma expressiva nossa presença tanto no mercado interno quanto no mercado internacional”, afirmou.
Conflito no Oriente Médio limitou desempenho
Apesar do crescimento histórico, Albuquerque avalia que o volume exportado poderia ter sido ainda maior. Segundo ele, o principal fator que restringiu os embarques foi o conflito no Oriente Médio, um dos mercados mais importantes para a maçã brasileira.
Além da redução das vendas para a região, o conflito provocou mudanças no comércio internacional, com países concorrentes redirecionando seus produtos para mercados atendidos pelo Brasil, aumentando a concorrência. Também houve impactos na logística internacional, como a escassez de contêineres para transporte da fruta.
Mesmo diante desse cenário, a diversificação dos destinos permitiu manter o bom desempenho das exportações. A Índia permaneceu como o principal comprador da maçã brasileira no semestre, seguida pela Arábia Saudita e pela Rússia, além de embarques para países da União Europeia, Reino Unido, América do Sul e América Central.
Segundo a ABPM, a ampliação dos mercados compradores reduz a dependência de destinos específicos e fortalece a competitividade da cadeia produtiva brasileira.
Exportações devem desacelerar no segundo semestre
A expectativa do setor é de redução natural do ritmo das exportações na segunda metade do ano. Isso ocorre porque mais de 90% da produção mundial de maçã está concentrada no Hemisfério Norte, cuja colheita acontece entre julho e dezembro, reduzindo o espaço para a fruta brasileira no mercado internacional.
Tradicionalmente, a maior parte das exportações nacionais ocorre no primeiro semestre, quando há menor oferta dos principais produtores mundiais.
Investimentos fortalecem competitividade
Para Moisés Albuquerque, os resultados refletem os investimentos realizados nos últimos anos em tecnologia e modernização dos pomares.
“O setor está colhendo os resultados dos investimentos feitos em pomares de alta tecnologia e elevada densidade, que proporcionam mais produtividade e qualidade. Esse movimento de crescimento das exportações é consistente e tende a se intensificar nos próximos anos”, destacou.
Na avaliação da Abrafrutas, o desempenho da maçã simboliza o momento positivo vivido pela fruticultura brasileira. A entidade ressalta que os investimentos em tecnologia, sustentabilidade e abertura de novos mercados continuam ampliando a competitividade do setor e fortalecendo a presença das frutas brasileiras no comércio internacional.









