sábado, outubro 3, 2026
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Cuidado com o 171: Paraná registra um golpe a cada três minutos

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Estado teve alta de 5,9% nos casos de estelionato em 2025, com 170.743 ocorrências; golpes por meio eletrônico cresceram 29,7%

O Paraná registrou 170.743 casos de estelionato em 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa uma alta de 5,9% em relação ao ano anterior, quando foram contabilizadas 161.236 ocorrências.

Na média, foram registrados 468 golpes por dia no estado, o equivalente a aproximadamente uma ocorrência a cada três minutos.

Com esse resultado, o Paraná aparece como o quarto estado brasileiro com maior número de registros de estelionato, atrás de São Paulo, com 833.277 casos; Minas Gerais, com 232.713; e Santa Catarina, com 181.110.

Os dados mostram ainda um crescimento significativo nos golpes praticados por meios eletrônicos. Em 2025, foram 11.515 ocorrências, contra 8.829 em 2024, uma alta de 29,7%.

Já os casos de estelionato que não foram classificados como praticados por meio eletrônico passaram de 152.407 para 159.228 registros, crescimento de 3,9%.

Em todo o Brasil, os registros de estelionato também aumentaram. Foram 2.607.808 ocorrências em 2025, contra 2.479.348 no ano anterior, uma alta de 5,2%. Isso representa uma média de aproximadamente 7.144 golpes por dia, ou um caso a cada 12 segundos.

Golpistas exploram confiança e emoções

Em entrevista ao programa MP no Rádio, do Ministério Público do Paraná (MPPR), o promotor de Justiça Marcelo Adolfo Rodrigues explicou que os golpes atuais são estruturados para parecerem verdadeiros.

Segundo ele, os criminosos costumam utilizar informações reais sobre as vítimas, como nome, CPF, fotografia, número de processo ou nome de familiares, combinando esses dados com uma história falsa para ganhar credibilidade.

A estratégia é conhecida como engenharia social, na qual o criminoso explora sentimentos como confiança, medo, esperança, solidariedade ou expectativa de receber algum valor.

Outro elemento recorrente é a urgência. A vítima é pressionada a tomar uma decisão rapidamente, sem tempo para verificar se a informação é verdadeira.

Para o promotor, a principal ferramenta utilizada pelos golpistas não é necessariamente a tecnologia, mas a capacidade de manipular a confiança e as emoções das vítimas.

PIX inesperado exige atenção

Entre os golpes mais comuns está o chamado “PIX inesperado”. Nesse tipo de fraude, o criminoso realiza uma transferência para a conta da vítima e, posteriormente, entra em contato alegando que o dinheiro foi enviado por engano.

Na sequência, pede que o valor seja devolvido para outra chave PIX, diferente daquela utilizada na transferência original.

A orientação é não realizar um novo PIX para outra conta. O correto é procurar a instituição financeira e utilizar a função de devolução vinculada à própria transação recebida.

Isso evita que a vítima fique exposta a um possível prejuízo caso o criminoso também solicite o estorno da primeira transferência.

Falso advogado

Outro golpe que ganhou espaço é o do “falso advogado”. O criminoso entra em contato se passando pelo advogado da vítima, integrante de um escritório ou até mesmo servidor do Poder Judiciário.

Na abordagem, afirma que houve uma decisão favorável em um processo e que a vítima teria direito a receber determinada quantia. Para liberar o suposto pagamento, porém, o golpista exige o pagamento antecipado de taxas, impostos, custas, certidões ou honorários.

Uma das orientações para evitar esse tipo de fraude é conferir cuidadosamente o CPF ou CNPJ do destinatário antes de realizar qualquer transferência.

Caiu em um golpe? Preserve as provas

Quem for vítima de estelionato deve registrar um boletim de ocorrência e preservar o máximo possível de informações relacionadas ao crime.

Entre as provas que podem ser guardadas estão:

  • Capturas de tela das conversas;
  • Números de telefone utilizados pelos criminosos;
  • Gravações de áudio;
  • Links enviados durante a abordagem;
  • Nomes e chaves PIX;
  • Comprovantes de transferências;
  • Outras informações fornecidas pelo golpista.

Caso a vítima tenha informado senhas, códigos de segurança ou dados de cartão, a orientação é bloquear imediatamente os cartões, trocar as senhas e comunicar a instituição financeira.

Contas “laranjas” também podem ser punidas

Uma mudança recente na legislação também passou a atingir pessoas que cedem contas bancárias para a movimentação de valores provenientes de crimes.

A Lei nº 15.397/2026, que entrou em vigor em maio deste ano, prevê punição para quem fornece conta bancária, gratuitamente ou mediante pagamento, para que nela transitem recursos destinados ao financiamento de atividades criminosas ou provenientes de crimes.

Segundo o promotor Marcelo Adolfo Rodrigues, essas contas funcionam como intermediárias para receber e movimentar o dinheiro obtido pelos estelionatários.

A pena prevista é a mesma do crime de estelionato: reclusão de um a cinco anos e multa.

Golpes no Paraná

Tipo de ocorrência 2024 2025 Variação
Estelionato 152.407 159.228 +3,9%
Estelionato por meio eletrônico 8.829 11.515 +29,7%
Total 161.236 170.743 +5,9%

Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

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