quinta-feira, outubro 15, 2026
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Couro de peixe de Pontal do Paraná conquista Indicação Geográfica e reforça liderança do Estado

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Reconhecimento do INPI valoriza tradição caiçara, reaproveitamento de resíduos da pesca e geração de renda no Litoral do Paraná

O couro de peixe produzido em Pontal do Paraná recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento valoriza a tradição do município na transformação de peles de peixes em couro e faz o Paraná chegar a 26 Indicações Geográficas reconhecidas.

A certificação está relacionada à tradição e à reputação dos produtores locais no aproveitamento sustentável de resíduos da pesca artesanal. Atualmente, 16 produtores atuam diretamente na atividade, beneficiando cerca de 30 famílias de forma indireta.

A transformação das peles em couro alia conhecimento tradicional e técnicas desenvolvidas ao longo de anos de pesquisa, agregando valor a um material que seria descartado. A atividade também contribui para a geração de renda e para a valorização da cultura caiçara.

O pedido de registro foi protocolado em outubro de 2025, após uma mobilização que envolveu a Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), o Sebrae Paraná, a Prefeitura de Pontal do Paraná, o Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) e o Conselho Municipal de Turismo.

Pesquisa ajudou a desenvolver o produto

Foto: Inove Sebrae/PR

A história da produção de couro de peixe no município começou em 2008, dentro do programa Universidade Sem Fronteiras da Unespar, sob coordenação da professora Kátia Kalko Schwarz.

Ao longo dos anos, estudos realizados em laboratório contribuíram para aprimorar o processo de transformação das peles. O trabalho também possibilitou o desenvolvimento de técnicas que dispensam o uso de cromo, substância tóxica comum em processos tradicionais de curtimento de couro.

O processo começa com a limpeza manual das peles, para retirada de resíduos de carne e gordura. Na sequência, o material passa pelo curtimento, que estabiliza as proteínas e transforma a pele em um couro sem odor, resistente e com diferentes possibilidades de utilização.

Segundo pesquisas realizadas pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e pela Universidade de São Paulo (USP), o couro de peixe pode apresentar resistência de até três vezes superior à do couro bovino, característica relacionada à disposição das fibras de colágeno presentes na pele.

Produção envolve diferentes espécies

Foto: Divulgação

O couro produzido em Pontal do Paraná pode ser elaborado a partir de espécies de água doce e salgada, entre elas linguado-abaxial, robalo-flecha, robalo-peva, parú, corvina, pescada-amarela, miraguaia, tainha, prejereba, peixe-porco, cavala, salmão e tilápia.

As diferentes espécies resultam em couros com características e texturas próprias.

Depois do curtimento, as peças podem receber coloração com produtos naturais, como urucum e cúrcuma. A etapa final envolve hidratação e secagem à sombra. De acordo com as informações divulgadas, todo o processo leva aproximadamente dois dias e meio, enquanto o curtimento do couro bovino pode levar de uma a duas semanas.

O material é utilizado na fabricação de bolsas, colares, chaveiros, cadernetas e peças de artesanato. A produção de Pontal do Paraná também já alcançou o mercado internacional, com produtos comercializados para países como Alemanha, França e Portugal.

Indicação Geográfica fortalece atividade

A busca pelo reconhecimento começou a ganhar estrutura em 2023, com a organização da associação, capacitações dos produtores e elaboração do caderno de especificações técnicas.

O documento estabelece os procedimentos que devem ser observados na produção, desde a aquisição e limpeza das peles até as etapas de secagem, tingimento, amaciamento e comercialização.

A expectativa da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná é alcançar, ainda neste ano, o curtimento de 600 quilos de peles. Com a nova certificação, a entidade espera ampliar a visibilidade do produto e estimular a entrada de novos produtores na atividade.

Paraná chega a 26 Indicações Geográficas

Com o novo reconhecimento, o Paraná passa a contar com 26 produtos com Indicação Geográfica, mantendo a liderança nacional em número de registros, conforme os dados apresentados.

Somente em 2026, o Estado obteve quatro novos registros: couro de peixe de Pontal do Paraná, ginseng de Querência do Norte, café da Serra de Apucarana e tortas de Carambeí.

Entre as demais Indicações Geográficas paranaenses estão produtos como o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e a aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os vinhos de Bituruna, o barreado do Litoral, a bala de banana de Antonina, a erva-mate de São Mateus do Sul, a camomila de Mandirituba, as uvas finas de Marialva, os cafés especiais do Norte Pioneiro, o morango do Norte Pioneiro e a goiaba de Carlópolis.

Além dos registros já concedidos, outros produtos paranaenses possuem pedidos em análise no INPI, entre eles a acerola de Pérola, o pão no bafo de Palmeira, cervejas artesanais de Guarapuava, mel de Capanema e a cambira, prato tradicional de Pontal do Paraná.

 

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