Índice da Fecomércio SC recua pelo quinto mês consecutivo e se aproxima da linha que separa otimismo e pessimismo das famílias em relação ao consumo
A confiança dos consumidores catarinenses voltou a cair em julho e atingiu o menor nível dos últimos três anos. É o que revela o levantamento da Intenção de Consumo das Famílias (ICF), divulgado pelo Núcleo de Inteligência Estratégica da Fecomércio SC.
O indicador recuou 3,1% em relação a junho, alcançando 101,5 pontos. Na comparação com julho de 2025, a queda foi de 6,1%. O resultado representa o pior desempenho desde junho de 2023 e marca a quinta retração mensal consecutiva do índice.
Desde fevereiro deste ano, a ICF acumula perda de 11,3 pontos e se aproxima da marca de 100 pontos, considerada o limite entre o otimismo e o pessimismo dos consumidores quanto ao consumo, ao mercado de trabalho e às perspectivas econômicas.
De acordo com o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a redução da confiança preocupa a entidade, especialmente porque Santa Catarina passou a registrar um desempenho inferior à média nacional, situação pouco comum no histórico do indicador.
Segundo ele, fatores como a proximidade das eleições, a manutenção dos juros em níveis elevados, o cenário geopolítico internacional e o receio de perda do poder de compra em razão da inflação contribuem para o aumento da cautela entre os consumidores.
Enquanto o índice catarinense segue em queda, o cenário nacional apresentou estabilidade, com leve alta de 0,1% em relação ao mês anterior e crescimento de 2,6% na comparação anual. O desempenho brasileiro é atribuído, principalmente, à desaceleração da inflação, especialmente nos bens duráveis, e à resiliência do mercado de trabalho.
Crédito mais restrito pesa na confiança
Entre os componentes da pesquisa, o acesso ao crédito foi o que apresentou o pior desempenho. O indicador caiu 7,7% em relação a junho e 12,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo 89,3 pontos, o menor nível desde setembro de 2023.
O levantamento também aponta retração no indicador que mede o momento para aquisição de bens duráveis, refletindo a cautela das famílias diante das altas taxas de juros e das condições mais restritivas de financiamento.
No bloco que avalia a situação atual, o indicador de emprego manteve-se praticamente estável em relação ao mês anterior e apresentou crescimento de 6,7% na comparação anual, sendo o único componente com resultado positivo nesse período.
Já a percepção sobre a renda atual apresentou queda de 2,2% em relação a junho e de 3,3% na comparação com julho de 2025, indicando redução do poder de compra das famílias catarinenses.
Perspectivas futuras também pioram
As expectativas para os próximos meses também ficaram mais negativas. A perspectiva profissional registrou queda de 7,1% no comparativo mensal e de 12,7% em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo menor confiança quanto às oportunidades no mercado de trabalho.
Apesar desse cenário, a perspectiva de consumo apresentou leve melhora, indicando que, embora mais cautelosas, as famílias ainda esperam manter sua capacidade de consumo, ainda que em um nível inferior ao observado antes da pandemia.
O levantamento da Fecomércio SC demonstra que o consumidor catarinense permanece mais prudente diante do cenário econômico, principalmente em relação ao crédito, ao poder de compra e às decisões de consumo de maior valor.









