quinta-feira, outubro 15, 2026
InícioAgriculturaAgronegócio incorpora 190 mil trabalhadores, mas ocupação recua no primeiro trimestre

Agronegócio incorpora 190 mil trabalhadores, mas ocupação recua no primeiro trimestre

- Advertisement -

Produção agropecuária ampliou a contratação, mas setor perdeu cerca de 267 mil ocupados em outras atividades da cadeia

As atividades desenvolvidas dentro das propriedades rurais incorporaram cerca de 190 mil trabalhadores no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O crescimento foi de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025 e ocorreu tanto na agricultura quanto na pecuária. O avanço da ocupação no campo ajudou a limitar a redução registrada nos demais segmentos do agronegócio.

Na agricultura, o número de pessoas ocupadas aumentou 1,8%, enquanto na pecuária o crescimento chegou a 3,7%. Entre as atividades agrícolas, o cultivo de café registrou alta de 26,9% na ocupação, seguido pela cana-de-açúcar, com 13,9%, e pela horticultura, com 5,6%.

Na produção animal, a aquicultura apresentou crescimento de 40,8% no número de ocupados. Também houve aumento na criação de aves, de 26,4%, na suinocultura, de 18,7%, e em outras atividades pecuárias, de 30,6%.

Ocupação total recuou

Apesar do avanço dentro das propriedades, o número total de ocupados no agronegócio recuou 1%, com a saída de aproximadamente 267,3 mil pessoas em um ano.

Mesmo com a redução, o setor manteve 27,79 milhões de trabalhadores, o equivalente a 25,73% de toda a população ocupada no Brasil.

A queda ficou concentrada principalmente nos segmentos que ficam fora das propriedades. Os agrosserviços perderam cerca de 308 mil trabalhadores, uma retração de 2,9%. Nas agroindústrias, foram aproximadamente 148,5 mil ocupados a menos, queda de 3,1%. Já o segmento de insumos registrou redução de 1,2%, equivalente a cerca de 3,8 mil trabalhadores.

O levantamento considera diferentes formas de ocupação, portanto, os números não representam necessariamente a criação ou perda de empregos com carteira assinada.

Renda também cresceu

Outro destaque do levantamento foi o aumento dos rendimentos. A renda média mensal dos empregados do agronegócio chegou a R$ 2.886, crescimento real de 4,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Entre os empregadores, a renda média alcançou R$ 8.961, alta real de 9,7%.

A massa de rendimentos do agronegócio chegou a R$ 68,90 bilhões, crescimento real de 2,7% em um ano.

O trabalho por conta própria foi a única posição na ocupação que apresentou crescimento, com a incorporação de aproximadamente 120,2 mil pessoas, alta de 1,8%.

Setor mais qualificado

O levantamento também aponta aumento na participação de profissionais com maior nível de escolaridade. O agronegócio incorporou aproximadamente 72,9 mil trabalhadores com ensino superior, crescimento de 1,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

Ao mesmo tempo, houve redução na participação de trabalhadores sem instrução e daqueles com ensino fundamental e médio. Segundo a análise, o movimento acompanha mudanças no setor, como a adoção de máquinas, sistemas digitais, agricultura de precisão, automação, análise de dados e novas técnicas de gestão.

A participação feminina também aumentou proporcionalmente. Enquanto a ocupação entre os homens caiu 1,2%, entre as mulheres a retração foi menor, de 0,5%.

Cenário exige atenção

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, os números mostram comportamentos diferentes entre os segmentos da cadeia produtiva.

Segundo ele, enquanto agricultura e pecuária ampliaram a contratação, serviços e agroindústrias passaram por um processo de ajuste. O cenário, na avaliação do dirigente, exige atenção diante dos juros elevados, das margens menores e das dificuldades de acesso ao crédito.

Rezende também defende medidas de apoio aos produtores, como a renegociação das dívidas rurais, crédito acessível, seguro rural e condições para que propriedades economicamente viáveis possam retomar investimentos.

A avaliação é de que a recuperação da capacidade de investimento dos produtores pode gerar efeitos positivos em outras áreas da economia, incluindo comércio, transporte e indústria, além de beneficiar as famílias que dependem direta ou indiretamente do agronegócio.

Com informações do Pensar Agro.

a

Últimas Notícias