quarta-feira, setembro 16, 2026
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Celesc e FIESC debatem sobre desperdício de eletricidade

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Equivale ao consumo de 20 milhões de residências e foi tema foi tratado durante reunião híbrida entre Celesc e Câmara de Energia da FIESC

O desperdício de energia elétrica no Brasil é estimado em 43 terawatt-hora (TWh) por ano, o que equivale ao atendimento de 20 milhões de residências. A análise foi apresentada pelo gerente de Pesquisa & Desenvolvimento e Inovação da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Thiago Jeremias, durante a reunião híbrida da Câmara de Energia da FIESC, nesta terça (30). Ele e o analista de Eficiência Energética da Weg, Jonatan Mamedes da Silva, trataram de eficiência energética na indústria.

“É como se tivéssemos a terceira maior usina de geração de energia elétrica trabalhando somente para suprir esse volume desperdiçado”, afirmou Jeremias. Medidas lançadas nos últimos anos já permitiram a redução das perdas na ordem de 10 TWh. A redução do desperdício se torna uma oportunidade porque o custo de conservação de cada megawatt-hora (MWh) é de R$ 104, contra R$ 282 para cada MWh obtido na expansão do sistema de geração.

O gerente da Celesc destacou que diante das crises de geração de energia, sempre se discute mais a ampliação da geração do que a realização de programas de eficiência e conservação de energia. “No ano passado, por exemplo, passamos por mais uma grave crise hídrica, com a iminência de novo racionamento, e sempre nessas oportunidades se foca em aumentar a oferta, mas não se considera a possibilidade de redução do consumo”, destacou.

Geremias destacou que as concessionárias de energia elétrica são obrigadas a apresentar um edital por ano para projetos de redução de consumo – cada concessionária deve destinar 0,5% da sua Receita Operacional Líquida em programas de eficiência energética. “As indústrias catarinenses têm apresentado poucos projetos”, afirmou.

“A energia elétrica é invisível e muitas empresas gastam demais e pagam mais caros pelo insumo”, afirmou Jonatan Mamedes da Silva. Segundo ele, os motores são os maiores consumidores de energia elétrica no Brasil. “Cerca de 70% da energia elétrica produzida é utilizada na indústria”, disse. Ele acrescentou que os motores instalados no Brasil têm média de 19 anos, o dobro dos países mais industrializados. Além disso, grande parte destes motores já sofreram rebobinagens, que afetam seu desempenho aumentando o consumo de energia. “É necessário acompanhar a evolução na eficiência de equipamentos e sistemas. Há muitas novas tecnologias para utilizar a favor da redução do consumo de energia elétrica”, observou.

Jonatan apresentou alternativas de redução de consumo de energia na indústria. Segundo ele, a automação de processos apresenta as melhores perspectivas de ganhos de eficiência, na ordem de 60% e podem alcançar 57% dos processos. Outros ganhos possíveis com a automação de processos são a melhoria da qualidade de produto, eficiência no uso de insumos e redução de atividades operacionais. A substituição de redutores pode ter ganhado médios de eficiência de 35%, podendo chegar a 65% dos redutores instalados no país, além de proporcionar redução de custos de manutenção e aumento da confiabilidade operacional e vida útil dos equipamentos. Já a substituição ou redimensionamento de motores tem ganhado médio de eficiência de 9% e alcance de 71% dos motores instalados, gerando adicionalmente ganhos em custos de manutenção e melhoria do fator de potência.

Reajuste da tarifa de energia elétrica – O presidente da Câmara de Energia da FIESC, Otmar Müller, comentou o aumento da tarifa de energia elétrica da Celesc – que chega à média de 16,8% para os consumidores industriais cativos e de 7,6% para os consumidores residenciais. Muller constata que cerca de metade da composição da tarifa referem-se a tributos (23,4%) da fatura e encargos (18,3%). “Nos encargos estão os subsídios, de caráter social e são justos, mas sobre eles incide impostos”, alerta o empresário. Ou seja, há a incidência de imposto sobre o subsídio social. Por isso, Muller defende que os subsídios sociais sejam absorvidos pelo tesouro.

 

Por Rede Catarinense de Notícias

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