Camila Paola Andrzejewski está se formando em Enfermagem e emocionou a todos ao tocar uma música durante a apresentação do seu trabalho sobre musicoterapia relacionada à qualidade de vida dos idosos

Na semana passada a apresentação de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da Universidade do Contestado (UnC) de Mafra emocionou todos os presentes. Camila Paola Andrzejewski, estudante de Enfermagem de 22 anos, homenageou a avó, Elizabete Mildenberger Andrzejewski, que faleceu no ano passado aos 74 anos.

A universitária tocou uma música ao término da apresentação do seu trabalho, que tem como tema justamente a musicoterapia relacionada à qualidade de vida dos idosos. O caso ocorreu no dia 8 de julho e levou muitas pessoas às lágrimas.

“As pessoas que estavam assistindo ficaram admiradas, surpresas e muito emocionadas. A inspiração para fazer a homenagem surgiu da falta que sinto a todo instante; toda vez que eu me lembro dela a angústia se faz presente”, afirma Camila, contando que a avó faleceu em fevereiro do ano passado devido a uma infecção generalizada.

“Sempre tivemos uma troca de carinho muito grande, eram beijos e risadas a todo o momento; a vó sempre fez de tudo por todos os netos, mas entre todos eles eu sou o seu xerox, todos os traços da sua face eu tenho. Minha avó sempre dizia que tinha muito orgulho de mim, fazia questão de contar para todos que eu ia ser enfermeira”, destaca a futura enfermeira.

Camila Paola Andrzejewski estagia na na UBS Bom Jesus de Itaiópolis, cidade em que nasceu e que vive com os pais Josiani Mendes Onório Salagnac e Lúcio Bruno Salagnac e com a irmã Ana Paula Salagnac. Questionada sobre a mensagem que deixa para as pessoas sobre valorizar as pessoas que ama, ela ressalta: “Aproveitem ao máximo a companhia dessas pessoas; beijem e abracem como se fosse os seus últimos momentos juntos”.

O trabalho

De início o tema do TCC de Camila era sobre a musicoterapia em pacientes que se encontravam em UTI. “Por ser o último lugar que a minha vó ficou viva neste mundo”, categoriza a estudante, que mudou de foco devido à falta de estudos científicos da área. “Juntamente com a minha orientadora Jaqueline Fátima Previatti Veiga decidimos fazer sobre idosos, na minha cabeça eu sempre estava pensando em homenagear a minha vó. Foi então que nos últimos momentos contei para a Jaqueline o porquê de eu estar fazendo sobre os idosos e ela topou na hora; lembro que ela me disse: ‘surpreenda seus avaliadores’”, cita ela.

A música

A música está pesente na família de Camila há algumas gerações. “A trajetória iniciou-se quando o meu avô teve seu primeiro grupo musical (Ecos do Fandango) e meu tio e minha mãe faziam parte do grupo. Certa noite, quando eu já tinha meus 12 anos, meu avô simplesmente pegou o violão e começou a ensinar minha tia, meu irmão e eu; em apenas uma aula aprendi a tocar 3 acordes musicais e a minha primeira música: ‘No dia que sai de casa’”, conta ela, afirmando que na sequência comprou o violão do seu avô e nunca mais largou a música.

A profissão

Como enfermeira, Camila quer fazer a diferença ao tocar e cuidar de vidas. “Como se fossem meus familiares. Independentemente de qual será o meu local de trabalho, vou usar a musicoterapia como forma de tratamento não invasivo”, relata, dizendo que a enfermagem sempre esteve presente na sua vida, mesmo sem ela perceber.

“Tinha 6 anos quando tive o meu primeiro contato com ‘o cuidar’: minha mãe me deu uma irmã e eu tinha que ajudar ela a se recuperar. Quando eu já tinha meus 12 anos, minha mãe passou por um procedimento cirúrgico, onde novamente eu estava ali para auxiliá-la na sua recuperação; e por fim, aos meus 15 anos minha mãe teve que passar por mais um procedimento cirúrgico, e foi aí que eu tinha certeza de que a enfermagem tinha me escolhido”, conta.

Por Millena Sartori/Tribuna da Fronteira

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