segunda-feira, outubro 19, 2026
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Monitoramento da cigarrinha-do-milho gera impacto de R$ 321 milhões em SC

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Programa da Epagri ajudou a reduzir perdas nas lavouras em 2025; manejo adequado representou ganho líquido estimado de R$ 1.582,55 por hectare na safra 2024/25

O monitoramento da cigarrinha-do-milho realizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) gerou um impacto econômico estimado em R$ 321,7 milhões para a agricultura catarinense em 2025. O resultado está relacionado à redução das perdas provocadas pela praga e pelo complexo de enfezamentos e viroses que afetam a cultura.

Os dados foram divulgados no Balanço Social da Epagri e são referentes ao programa Monitora Milho SC, criado para fornecer informações técnicas que auxiliem os agricultores na tomada de decisões sobre o manejo das lavouras.

De acordo com o supervisor de pesquisa da Epagri/Cepaf, Alberto Höfs, o manejo adequado apresentou resultados positivos na safra 2024/25. Considerando o preço médio de comercialização do milho em R$ 1,15 por quilo, a diferença de produtividade representou um ganho líquido estimado de R$ 1.582,55 por hectare cultivado, já descontado o custo adicional do manejo.

Manejo ajuda a reduzir perdas na produção

A cigarrinha-do-milho é considerada uma das principais pragas da cultura, pois transmite agentes associados aos enfezamentos e às viroses, doenças que podem comprometer o desenvolvimento das plantas e reduzir significativamente a produtividade.

Segundo os cálculos da Epagri, a ausência de manejo pode representar uma perda de produtividade estimada em 17,5%. Já a adoção das técnicas recomendadas esteve associada a um aumento de 21,2% na produção por hectare durante a safra 2024/25.

Esta é a primeira vez que o programa, lançado em 2021, mensura o impacto econômico da tecnologia sobre a produção catarinense.

Para a coordenadora do Monitora Milho SC, a pesquisadora Maria Cristina Canale, os resultados demonstram como a pesquisa e a extensão rural podem contribuir para reduzir prejuízos no campo e oferecer informações mais seguras aos produtores.

O acesso a dados atualizados sobre a presença da cigarrinha e a ocorrência de agentes infecciosos permite orientar as estratégias de controle e reduzir a vulnerabilidade das lavouras.

Como foi calculado o impacto econômico

Para estimar os resultados, os pesquisadores consideraram diferentes fatores, entre eles:

  • perdas de produtividade associadas aos enfezamentos;
  • custo adicional do manejo, estimado em R$ 300 por hectare;
  • preço médio de comercialização do milho;
  • área total cultivada em Santa Catarina;
  • adoção das recomendações técnicas do programa.

O estudo utilizou como referência uma perda média de 17,5% por enfezamentos, enquanto pesquisas na região Sul apontaram redução de rendimento de 12,7% a cada aumento de uma unidade na escala de severidade da doença.

A combinação desses dados permitiu estimar os benefícios econômicos associados à adoção das estratégias de manejo recomendadas pelo programa.

Rede de monitoramento reúne instituições

O Monitora Milho SC foi implantado na safra 2021/22, após uma queda expressiva na produtividade do milho em Santa Catarina. Naquele período, a produção média chegou a aproximadamente 5.487 quilos por hectare, uma redução de 29% em relação à safra anterior, segundo a Epagri.

Diante do cenário, foi criado um comitê que reuniu instituições como a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), a CropLife Brasil e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.

A iniciativa busca transformar dados de campo e análises laboratoriais em orientações práticas para os agricultores, contribuindo também para evitar o uso indiscriminado de inseticidas.

Ao longo de cinco safras, o programa analisou quase 10 mil armadilhas e processou cerca de 10 mil amostras. Também foram realizadas mais de 33 mil análises por PCR, método utilizado para identificar material genético de agentes infecciosos.

A cada ano, são publicados aproximadamente 40 informes técnicos. O monitoramento abrangeu entre 15 e 55 municípios, dependendo do período e da safra.

As informações estão disponíveis no site do Monitora Milho SC e no aplicativo EpagriMob, permitindo que produtores e técnicos acompanhem os dados e utilizem as recomendações no planejamento das lavouras.

Fonte: Epagri — Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

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