sábado, setembro 19, 2026
InícioAgriculturaProdutores do Paraná relatam dificuldades para renegociar dívidas rurais

Produtores do Paraná relatam dificuldades para renegociar dívidas rurais

- Advertisement -

Levantamento da FAEP aponta demora nas análises, exigência de garantias e condições financeiras consideradas inviáveis por agricultores e pecuaristas

Agricultores e pecuaristas de diferentes regiões do Paraná relatam dificuldades para acessar o programa de renegociação de dívidas do setor agropecuário, mesmo após a publicação da Medida Provisória 1.376/2026 e de regulamentações destinadas a viabilizar as operações junto às instituições financeiras. O prazo para adesão ao programa termina em 12 de novembro.

O cenário foi identificado em um levantamento realizado pelo Sistema FAEP com presidentes de sindicatos rurais de diferentes regiões do Estado. Entre os principais problemas relatados estão a demora na análise dos pedidos, exigência de novas garantias, condições de juros consideradas elevadas pelos produtores e falta de retorno dos bancos.

O levantamento considerou situações de produtores de Guarapuava, São Mateus do Sul, Maringá e Guamiranga.

Produtores relatam dificuldades de enquadramento

Em Guarapuava, o presidente do Sindicato Rural, Rodolpho Botelho, afirmou que apenas um produtor da agência do município havia conseguido se enquadrar no programa. Segundo ele, parte dos agricultores não atende ao critério de inadimplência previsto na medida provisória, que considera operações vencidas até 31 de maio.

Outro ponto citado é o limite de R$ 4 milhões por operação, que, segundo o dirigente, restringe o acesso de parte dos produtores da região.

Botelho também relatou casos em que instituições financeiras estariam apresentando taxas superiores às dos contratos originais e solicitando novas garantias. Para ele, a manutenção das condições originais dos contratos é necessária para viabilizar a renegociação.

São Mateus do Sul registra baixa adesão

Em São Mateus do Sul, o presidente do Sindicato Rural, Marcos Pires, afirmou que cerca de 12% das propostas de prorrogação encaminhadas aos bancos teriam sido aceitas.

Segundo ele, alguns produtores ainda aguardam resposta das instituições financeiras, enquanto outros enfrentam restrições de crédito em meio ao processo de renegociação.

Pires também citou operações de Cédula de Produto Rural (CPR) com juros entre 18% e 20% ao ano como uma das dificuldades encontradas pelos produtores.

Em Maringá, demora nas análises é apontada como entrave

Em Maringá, o presidente do Sindicato Rural, José Borghi, relatou demora na análise de processos que já teriam apresentado laudos e cumprido as exigências solicitadas.

Segundo Borghi, alguns pedidos são encaminhados para comitês regionais das instituições financeiras, o que, na avaliação dele, prolonga o processo.

O dirigente relaciona o aumento do endividamento a fatores como juros elevados, redução dos preços das commodities e perdas de safra, além da dificuldade de acesso ao seguro rural.

Guamiranga enfrenta dificuldades com documentação e crédito

Na região de Guamiranga, o presidente do Sindicato Rural, Dalnei Menon, apontou dificuldades para obtenção de laudos de frustração de safra e documentação contábil como obstáculos para o enquadramento no programa.

Segundo ele, parte dos produtores que possui os laudos necessários ainda não atende ao período de inadimplência exigido pela medida.

Menon também relatou dificuldades pessoais relacionadas ao endividamento. Segundo ele, possui mais de R$ 2 milhões em operações de crédito acumuladas nos últimos três anos, em decorrência de perdas de safra provocadas por seca, geada e baixa produtividade.

Ele afirmou ainda que, mesmo sem estar inadimplente e dispondo de bens para oferecer como garantia, não conseguiu obter custeio para a safra atual, reduzindo sua área cultivada para 60 hectares.

Entidades pedem mudanças na implementação

Diante das dificuldades relatadas, o Sistema FAEP e outras mais de 40 entidades do setor agropecuário encaminharam uma carta ao Congresso Nacional em conjunto com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Entre os pedidos apresentados estão a simplificação e uniformização da comprovação de perdas, flexibilização da exigência de entrada para produtores sem capacidade de desembolso, definição de critérios nacionais de enquadramento e garantia de que as operações renegociadas não impeçam o acesso ao crédito necessário para a continuidade das atividades.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, também defendeu ajustes na implementação do programa e afirmou que o prazo para adesão está se aproximando do fim.

a

Últimas Notícias