Telemedicina complementa acompanhamento realizado nas propriedades e facilita o acesso a profissionais de medicina da família, pediatria e psicologia
O Programa Saúde no Campo iniciou uma nova etapa de assistência às famílias rurais de Santa Catarina com a oferta de consultas por telemedicina. A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Senar Nacional e o Einstein Hospital Israelita e amplia o acesso de produtores rurais, familiares e trabalhadores das propriedades a profissionais das áreas de medicina da família, pediatria e psicologia.
Criado pelo Senar Nacional, o programa é desenvolvido em Santa Catarina pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos Rurais. Gratuito, o Saúde no Campo atende produtores acompanhados pela Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), seus familiares e trabalhadores das propriedades rurais, além de produtores em geral.
A integração entre o acompanhamento presencial e as consultas on-line já apresenta resultados. Em Braço do Norte, um produtor do bairro Pinheiral, que apresentava sintomas gripais havia mais de 21 dias, foi avaliado durante o atendimento remoto.
Segundo a técnica em saúde Andresa Aguiar, o produtor passou por avaliação clínica, ausculta pulmonar e verificação dos sinais vitais. Na sequência, foi encaminhado para uma radiografia de tórax, recebeu prescrição médica e iniciou o tratamento indicado.
Em Campo Belo do Sul, os primeiros atendimentos também tiveram avaliação positiva das famílias. De acordo com a técnica em saúde Jubiele Finger, os participantes puderam apresentar resultados de exames, esclarecer dúvidas e receber orientações diretamente dos profissionais.
Telemedicina aproxima população rural dos serviços de saúde

Segundo o superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, a incorporação da telessaúde busca aproximar a população rural dos serviços médicos, especialmente em regiões onde as distâncias e as dificuldades de deslocamento podem dificultar o acesso a consultas, avaliações e diagnósticos.
Os técnicos de saúde rural auxiliam os participantes no acesso às teleconsultas, além de contribuírem para a inclusão digital em saúde e a articulação com a rede pública dos municípios.
Plataforma reúne informações e serviços
O novo modelo conta com uma plataforma eletrônica desenvolvida pelo Einstein, que reúne ferramentas para o acompanhamento dos pacientes e a comunicação entre as equipes.
O sistema permite o agendamento de visitas domiciliares dos técnicos de saúde, a realização de atendimentos médicos remotos e a troca de informações clínicas entre profissionais por meio de chat técnico.
A plataforma também possibilita prescrição digital, solicitação de exames e emissão de documentos médicos com certificação digital nacional. O tratamento das informações segue as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Com a ferramenta, as ações do programa passam a ser organizadas em um sistema unificado, permitindo padronizar registros e acompanhar a evolução das condições de saúde dos participantes. Os dados coletados durante as visitas e consultas também serão utilizados para mapear as condições de saúde da população rural.
A partir desse levantamento, será possível identificar perfis e fatores de risco, estabelecer prioridades e orientar ações preventivas de acordo com as características das propriedades e comunidades atendidas.
Prevenção começa nas propriedades
A coordenadora do Programa Saúde no Campo em Santa Catarina, Gisele Kraieski Knabben, explica que o trabalho começa antes das consultas. As equipes visitam as propriedades rurais para avaliar as condições de saúde das famílias, identificar fatores de risco e orientar medidas de prevenção e acompanhamento.
Cada módulo do programa é formado por um supervisor enfermeiro e 15 técnicos de saúde rural, entre técnicos de enfermagem e enfermeiros. A estrutura tem capacidade para atender até 2.700 famílias cadastradas.
Durante as visitas, os profissionais realizam avaliações, orientam os participantes e identificam situações que necessitam de encaminhamento ou acompanhamento médico. A proposta prioriza a prevenção e a identificação precoce de alterações que possam comprometer a saúde e a qualidade de vida das famílias.
Os participantes também recebem materiais educativos sobre doenças prevalentes no meio rural, um caderno individual de saúde para registro de informações e orientações e um kit de primeiros socorros com itens como curativos, ataduras e antisséptico em spray.
Outro eixo do programa é a integração com as redes municipais de saúde. Quando necessário, os técnicos auxiliam no encaminhamento dos usuários e na continuidade do cuidado, aproximando o acompanhamento realizado nas propriedades dos serviços disponíveis nos municípios.
Para o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a chegada das consultas on-line e da plataforma eletrônica unificada amplia a estrutura de acompanhamento presencial já oferecida pelo programa. “As visitas domiciliares e a atuação preventiva, aliadas à telemedicina viabilizada pela tecnologia, reduzem distâncias e tornam o cuidado com a saúde mais acessível à população que vive e trabalha no meio rural.”






