Conhecida durante missão técnica do Sistema FAEP, solução utiliza inteligência artificial e análise biológica para identificar pragas antes que causem prejuízos às lavouras
Uma tecnologia norte-americana de análise de solo poderá se tornar uma importante aliada dos produtores rurais do Paraná no combate aos nematoides, pragas que causam prejuízos significativos em diversas culturas, especialmente na soja. A solução foi apresentada durante uma missão técnica promovida pelo Sistema FAEP aos Estados Unidos, que reuniu produtores paranaenses para conhecer inovações voltadas ao agronegócio.
Durante a visita aos laboratórios da empresa EarthOptics, em São Francisco, na Califórnia, os agricultores conheceram um sistema capaz de analisar as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, além de identificar a presença de nematoides, fungos e bactérias por meio de tecnologias como inteligência artificial, sensores e análise de DNA.
O presidente do Sindicato Rural de Nova Cantu, Amarildo Agnolin, afirmou que enfrenta perdas estimadas em até 40% em uma área de soja devido ao ataque de nematoides. Segundo ele, a tecnologia poderá contribuir para a adoção de medidas preventivas e para a redução dos prejuízos nas propriedades rurais.
A preocupação também é compartilhada por produtores de outras regiões do Estado. O presidente do Sindicato Rural de Coronel Vivida, Silvio Marcolina, destacou que os nematoides comprometem o sistema radicular das plantas, favorecendo o surgimento de outras doenças e reduzindo a produtividade das lavouras.
De acordo com a EarthOptics, a tecnologia permite detectar os organismos ainda em baixa concentração, antes mesmo de os sintomas aparecerem nas plantas. Além da identificação dos nematoides, a análise oferece um diagnóstico completo da microbiota do solo, possibilitando ao produtor definir estratégias mais eficientes de manejo.
A coordenadora de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP, Vanessa Reinhardt, explica que o diferencial está justamente na precisão da análise. Segundo ela, os métodos tradicionais podem não identificar a presença dos organismos quando eles ainda estão em pequena quantidade, enquanto a nova tecnologia possibilita um diagnóstico precoce.
Outro benefício é a criação de um chamado “gêmeo digital” do solo, um mapa detalhado que reúne informações sobre nutrientes, compactação, umidade, pH, carbono, textura e microrganismos presentes na área. Com esses dados, o produtor consegue direcionar melhor o manejo, reduzir desperdícios de insumos e aumentar a eficiência da produção.
A EarthOptics atua no Brasil desde 2023, com operações em Campinas (SP), atendendo cerca de 400 produtores e realizando análises em aproximadamente 300 mil hectares por ano.
Ao retornar da missão técnica, os representantes do Sistema FAEP pretendem compartilhar o conhecimento adquirido com produtores paranaenses e incentivar a adoção de tecnologias que contribuam para uma agricultura mais eficiente, sustentável e rentável.

Com informações da Assessoria do Sistema FAEP









