Seis ocorrências foram confirmadas em apenas três dias; especialistas apontam localização geográfica e aquecimento dos oceanos como fatores para o aumento dos fenômenos
O Paraná já contabiliza nove tornados registrados em 2026, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Somente entre os dias 28 e 30 de junho, seis tornados foram confirmados após análises de campo, imagens de drones, satélites e dados de radar.
Os fenômenos ocorreram nos municípios de Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul, Cruz Machado e Reserva. O trabalho de identificação e classificação contou com o apoio da Defesa Civil do Paraná e das equipes de Meteorologia e Geointeligência do Simepar.
No dia 28 de junho, Reserva foi atingida por um tornado classificado como F2, com potencial para provocar danos consideráveis. Na mesma data, Nova Cantu registrou um tornado F1, de intensidade moderada. Dois dias depois, em 30 de junho, foram confirmados tornados F1 em Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins. Um segundo tornado percorreu Inácio Martins e avançou até Cruz Machado, mas não recebeu classificação por não ter causado danos.
Os outros três tornados registrados neste ano ocorreram em Mercedes e São José dos Pinhais, em janeiro, e em Foz do Iguaçu, em fevereiro.
Por que o Paraná registra tantos tornados?

De acordo com o consultor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Francisco Mendonça, o Sul do Brasil está localizado no segundo maior corredor de ventos extremos do planeta, atrás apenas da região central dos Estados Unidos.
Segundo o especialista, áreas como o Oeste e o Centro-Sul do Paraná, além do Oeste de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, apresentam relevo predominantemente plano, favorecendo a formação de ventos intensos e fenômenos atmosféricos severos.
Outro fator apontado é o aquecimento anormal das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico Sul. Conforme Mendonça, as temperaturas permaneceram elevadas entre 2025 e 2026, aumentando a energia disponível na atmosfera e favorecendo a formação de tempestades severas, ciclones e tornados.
Tragédia recente

O aumento da frequência desses fenômenos ocorre poucos meses após uma das maiores tragédias meteorológicas do Estado. Em novembro de 2025, um tornado classificado como F4 atingiu Rio Bonito do Iguaçu, com ventos estimados em até 400 km/h. O desastre deixou sete mortos — seis em Rio Bonito do Iguaçu e um em Guarapuava — além de mais de 800 pessoas feridas.
Como funciona a Escala Fujita
Os tornados são classificados pela Escala Fujita (ou Fujita-Pearson), criada em 1971, que considera os danos provocados pelas rajadas de vento.
- F0: ventos entre 65 e 116 km/h – danos leves;
- F1: ventos entre 116 e 180 km/h – danos moderados;
- F2: ventos entre 180 e 253 km/h – danos consideráveis;
- F3: ventos entre 253 e 332 km/h – danos severos;
- F4: ventos entre 332 e 418 km/h – danos devastadores;
- F5: ventos entre 418 e 511 km/h – destruição extrema.
Os dados reforçam a necessidade de monitoramento constante das condições meteorológicas e da atenção aos alertas emitidos pelos órgãos oficiais, especialmente durante a passagem de frentes frias e tempestades severas.









