sexta-feira, novembro 6, 2026
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Brasil registra queda nos feminicídios em 2026, mas Paraná e outros sete estados têm alta nos casos

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País contabilizou 741 vítimas no primeiro semestre, redução de 2,5% em relação a 2025; Santa Catarina teve aumento de 33,3% e Goiás liderou o crescimento percentual

O Brasil registrou uma leve redução nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, foram contabilizadas 741 vítimas, contra 760 no mesmo período de 2025, uma queda de 2,5%, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Apesar da redução nacional, o cenário permanece preocupante, já que nove estados apresentaram aumento no número de assassinatos de mulheres por razões de gênero.

O maior crescimento percentual foi registrado em Goiás, onde os casos mais que dobraram, com alta de 113,6%. Em seguida aparecem Sergipe (71,4%), Amazonas (66,7%) e Santa Catarina (33,3%). Também houve aumento no Paraná (17%), Amapá (16,7%), Rio Grande do Sul (13,9%), São Paulo (10,1%) e Rio Grande do Norte (10%).

Os dados revelam que, em média, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio por dia no Brasil durante os seis primeiros meses do ano, em crimes relacionados à violência doméstica, familiar ou motivados pelo menosprezo e discriminação à condição feminina.

O feminicídio passou a ser tipificado no Brasil em 2015, com a sanção da Lei do Feminicídio. Em 2024, a legislação foi reforçada e o crime deixou de ser apenas uma qualificadora do homicídio para se tornar um tipo penal autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão. Em casos com agravantes, a condenação pode chegar a 60 anos, a maior prevista atualmente na legislação penal brasileira.

Na tentativa de reduzir os índices de violência contra a mulher, o governo federal ampliou neste ano as ações de enfrentamento ao problema. Entre as iniciativas está o lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a atuação dos órgãos públicos.

Outra medida foi a criação do Centro Integrado Mulher Segura, estrutura nacional destinada a integrar e monitorar os serviços de atendimento às mulheres em situação de violência. Paralelamente, o Ministério da Justiça coordena uma operação nacional envolvendo as polícias civis e militares dos estados. Em 2026, a ação resultou na prisão de mais de 10 mil pessoas investigadas ou flagradas por crimes como ameaça, lesão corporal, feminicídio e descumprimento de medidas protetivas.

Apesar da redução registrada no primeiro semestre, especialistas alertam que os números devem ser analisados com cautela. A série histórica mostra que, embora tenha havido queda em comparação com 2025, o total de feminicídios em 2026 ainda supera os índices registrados em anos anteriores.

Pesquisadores apontam que parte do aumento observado nos últimos anos está relacionada ao aprimoramento da identificação e da classificação dos casos pelas polícias e pelo sistema de Justiça, permitindo que mortes anteriormente registradas como homicídios sejam corretamente enquadradas como feminicídios.

Ainda assim, especialistas ressaltam que a melhoria na notificação não explica, sozinha, a persistência dos elevados índices. A violência de gênero, alimentada pelo machismo estrutural e pela desigualdade entre homens e mulheres, continua sendo apontada como o principal fator por trás dos assassinatos de mulheres no país.

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