Movimentos repetitivos com os polegares aumentam casos de inflamações e lesões entre jovens, que têm procurado atendimento médico com mais frequência
O uso intenso de smartphones tem provocado um aumento nos casos de dores, inflamações e lesões nas mãos e punhos, especialmente entre os jovens. A combinação de longos períodos segurando o aparelho e a repetição constante de movimentos com os polegares pode sobrecarregar articulações, tendões e músculos, favorecendo o surgimento de problemas musculoesqueléticos.
Estudos apontam que usuários intensivos de celulares apresentam maior incidência de dores no pescoço, ombros, mãos e punhos. Além disso, o esforço repetitivo pode acelerar o aparecimento de sintomas em pessoas com predisposição à artrose ou agravar quadros já existentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a artrose afeta cerca de 528 milhões de pessoas em todo o mundo e figura entre as principais causas de dor e incapacidade física. Embora joelhos, quadris e coluna sejam as regiões mais afetadas, as mãos também estão entre as articulações frequentemente comprometidas, principalmente em mulheres acima dos 50 anos.
Segundo o médico ortopedista Dr. Mateus Jerônimo, o celular não é a causa direta da artrose, mas o uso excessivo pode acelerar o desgaste das articulações. “O polegar humano não foi projetado para realizar milhares de movimentos repetitivos diariamente com a intensidade exigida pelos smartphones. Quando esse uso se torna excessivo, ocorre uma sobrecarga importante sobre articulações, tendões e músculos das mãos, favorecendo dores e inflamações”, explica.
Uma das regiões mais afetadas é a articulação localizada na base do polegar, responsável por grande parte dos movimentos utilizados para digitar e navegar nas telas. O esforço contínuo também pode desencadear tendinites e a tenossinovite de De Quervain, inflamação que provoca dor na lateral do punho e dificulta atividades simples, como abrir embalagens, segurar objetos ou escrever.
O especialista destaca que a artrose é uma doença multifatorial, relacionada ao envelhecimento, fatores genéticos, traumas e alterações biomecânicas, mas ressalta que a sobrecarga mecânica pode acelerar o surgimento dos sintomas. “Movimentos repetitivos e sobrecarga mecânica podem acelerar o aparecimento dos sintomas em pessoas predispostas ou que já apresentam algum grau de desgaste articular”, afirma.
Entre os principais sinais de alerta estão dores ao movimentar os dedos, perda de força, rigidez, estalos nas articulações, inchaço e dificuldade para realizar tarefas do dia a dia. Em muitos casos, os sintomas aparecem inicialmente após longos períodos utilizando o celular, mas podem se tornar constantes se não houver mudanças nos hábitos.
O médico observa que o problema não está apenas no tempo de uso, mas também na forma como o aparelho é utilizado. “Muitas pessoas passam horas com o celular sempre da mesma maneira, utilizando apenas um polegar para digitar ou navegar. Essa repetição constante gera microtraumas que, ao longo do tempo, podem desencadear processos inflamatórios e aumentar o desgaste das articulações”, alerta.
Para prevenir lesões, a orientação é fazer pausas regulares durante o uso do smartphone, alternar as mãos, utilizar recursos de comando por voz sempre que possível e realizar alongamentos para mãos e punhos.
Segundo o ortopedista, essas medidas simples ajudam a reduzir a sobrecarga nas articulações e diminuem o risco de dores e limitações futuras.
Nos consultórios, o número de pacientes jovens com queixas relacionadas ao uso excessivo de dispositivos eletrônicos também vem crescendo. De acordo com o especialista, muitas dessas pessoas apresentam inflamações e lesões por esforço repetitivo que, sem diagnóstico e tratamento adequados, podem comprometer a funcionalidade das mãos e a qualidade de vida.






